Família Ancestral & Espiritual
Uma raiz viva e profunda, alimentada pela terra vermelha e águas ancestrais do interior do Brasil
Diferente das tradições costeiras — como as do Rio de Janeiro, Salvador ou São Paulo — que se estruturaram nos grandes centros e terreiros urbanos, a Cabinda Mineira e os cultos do interior carregam o silêncio da estrada, o segredo das montanhas e a força das famílias que mantiveram seus saberes em casas, farmácias, sítios e quilombos.
Kazuá de Cacurucaia nasce de uma raiz viva e profunda, alimentada pela terra vermelha do interior do Brasil, pelas águas dos rios ancestrais e pelos cantos antigos que ecoam desde as matas de Angola, Kongo e Jimbundu, cruzando o oceano e firmando-se nas cidades históricas da Estrada Real.
Nossas Raízes: A Matriz do Interior
A base espiritual do Kazuá é a tradição da Cabinda Mineira, da Cabinda-Nagô (já um pouco sincrética com os cultos iorubanos) e da Cabinda Preta, uma vertente da Kimbanda que trabalha com uma concepção ampla de ancestral, não se fixando apenas nas figuras de Exu e Pombagira (que são do panteão iorubano, não bantu, base de onde a Cabinda vem), mas em toda uma gama de entidades, Yombe, Bakulu e outros. Nossa raiz está na força da Matriz do Jimbundu, no Kicongo da Mata e em outras manifestações que surgiram no interior do Brasil, longe dos portos e dos mercados escravistas das grandes capitais, mas perto das Minas, das lavouras e do gado, cultos que se formaram nas cidades históricas de Minas, Goiás, Mato Grosso e interior de São Paulo, onde a religiosidade africana se entrelaçou com a medicina popular, a fé cristã popular e as tradições das irmandades negras. São cultos de chão batido, de silêncio e segredo, de congá, ilú, mandingas e patuás, segredo, feitiçaria e fogueira acesa para aquecer o corpo e o espírito.
A Casa de Mama Kudinguezanga
Nossa linhagem nasce deste berço tão rico da Cabinda-Nagô, na Casa de Mama Kudinguezanga, mulher negra, parteira, benzedeira e, muito mais tarde, Enfermeira formada, nascida em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) em 1922, e iniciada na Umbanda e na Cabinda no sertão mineiro. Formou-se como enfermeira intensivista, trabalhou em Sabará, Diamantina, Avaré e Assis, e atuou até os 75 anos em UTIs, ao mesmo tempo em que mantinha seu Templo: Templo de Umbanda Caboclo Tupirandaia e o Kazuá de Tata Caveira e Senhora Sete Catacumbas. Foi nesse chão que recebi meus graus de iniciação como Sacerdotisa de Umbanda e Mametu de Kimbanda. Hoje, a Casa de minha Mametu tem continuidade com sua filha, Mametu Ivete, que retornou às terras onde nossa Mama nasceu e aprendeu os princípios da Cabinda – Mato Grosso. O Kazuá de Tata Caveira e Sete Catacumbas é hoje também o Kazuá de Dona Rosa Dourada e Rompe Mato. É dessa força que me nutro. É dessa ancestralidade que falo.
Herança de Mãe Emília de Oxalá
Minha primeira herança vem de Mãe Emília de Oxalá, minha mãe carnal, com mais de 60 anos de santo na Umbanda e no Candomblé Jêje-Nagô. Minha mãe Emília não é apenas uma sacerdotisa: ela é meu alicerce espiritual e humano. Seus ensinamentos formaram meus princípios éticos, minha conduta ritual e minha moral religiosa. Sei que vivemos tempos distintos da experiência religiosa – ela de um tempo mais antigo, eu de um tempo em que a macumba ganhou nuances digitais e na internet – mas uma coisa é fato: ela é Raiz, eu sou Folha e Continuidade, com meu filho, meu marido e os filhos espirituais que hoje me são confiados. Se hoje mantenho firmeza na fé e consciência nos fundamentos e mistérios, é porque fui criada com a retidão e o amor de uma mulher de santo que conhecia o peso e a bênção da palavra “compromisso”.
A Irmandade das Casas de Cabinda
No Kazuá, não há hierarquia de poder — há hierarquia de responsabilidade, respeito e afeto. Nossa estrutura é baseada em irmandade de casas: as casas não são filhas, mas irmãs. Compartilhamos fundamentos, aprendizados, rituais e caminhos, mas cada casa é soberana, com sua própria personalidade espiritual e missão. Essa rede é mantida pela confiança, pela ancestralidade comum e pela prática viva dos fundamentos de Cabinda. Hoje, nosso trabalho está focado no cuidado com os filhos e em erguer o nosso Barracão / Templo. Não realizamos toques públicos, nem giras abertas. Você pode fazer parte da nossa Família de duas formas: como Filho Espiritual, passando pelos processos de orientação e iniciações.; ou como Aprendiz, participando dos estudos e trabalhos. Pisar na Cabinda é pisar numa terra vermelha, do sangue dos nossos Ancestrais.